O retorno de O Diabo Veste Prada e a vontade de viver um mundo que já acabou
- oquengmcontaa
- 20 de abr.
- 3 min de leitura
Atualizado: 22 de abr.
Oii, time! Estava pensando em como chamá-los, porque “gente linda” me parece muito genérico. A palavra que me veio à cabeça é “time”. Somos um time. Vamos construir juntos uma visão forte e potente de comunicação.
Agora, sem mais delongas, bora pro texto!
O que eu quero trazer hoje é uma visão extremamente publicitária do filme O Diabo Veste Prada 2.
um pouco de contexto
Em 2006, existia uma sensação de ordem, pelo menos no que diz respeito à moda, à publicidade e ao poder do que iria virar tendência. Poucos veículos concentravam atenção, poucos nomes definiam relevância e havia uma linha mais clara entre quem influenciava e quem consumia.
quando tudo parecia mais organizado
Hoje, essa linha não desapareceu, mas se expandiu. Com as redes, a lógica mudou. Antes, tínhamos um cenário assim:
Marca => editorial de moda => modelos, desfiles => tendência
e aí tudo mudou
Hoje, as redes sociais puxam a tendência. Creators e influenciadores dão forma e as marcas entram na conversa que já está rolando.
A influência se fragmentou, se acelerou e, em muitos casos, se tornou imprevisível. Tendências nascem em lugares improváveis, escalam rápido e desaparecem na mesma velocidade.
É nesse contraste que o retorno do filme ganha força.
Não pela fidelidade ao presente, mas pela distância dele.
as marcas já entenderam o jogo
Antes mesmo de qualquer definição sobre a história, o mercado já reagiu.
A Diet Coke assumiu um papel central com campanha global. A L'Oréal, a TRESemmé e a Grey Goose também se conectaram ao projeto. E a Starbucks traduziu o universo do filme em produto.
Esse movimento não é aleatório nem puramente nostálgico.
Ele revela uma leitura muito específica: existe valor em revisitar um momento em que a influência parecia mais estável, mais definida, quase tangível.
O filme é esperado pela Gen Z, que sonhou com o trabalho da Andrea Sachs, interpretada pela atriz Anne Hathaway. Na faculdade de publicidade, não se fala em outra coisa, e isso prova como as marcas querem estar no meio dessa conversa, querem pertencer à jornada desse consumidor até o momento do filme. Vou deixar todas as publis no final desse texto <3
A publicidade sempre operou nesse limite.
Às vezes, ela captura movimentos culturais. Às vezes, ela amplifica. E, em alguns momentos, ajuda a reorganizar o significado das coisas.
O que está acontecendo aqui parece menos sobre reviver o passado e mais sobre reinterpretá-lo dentro de uma nova lógica de mercado.
As collabs não estão só “pegando carona” no filme. Elas estão transformando o lançamento em um ecossistema de presença cultural.
Não é só conteúdo, é território.
o que a gente está tentando reviver?
Eu acredito que estamos, de certa forma, querendo viver esse passado, porque achávamos que nossa vida seria daquela forma: correndo pela Paulista, com café na mão e o sobretudo (sdds do que não vivi rsrsrs).
Mas, falando sério agora, ainda é cedo para afirmar o que essa nova fase de O Diabo Veste Prada vai entregar narrativamente.
Mas o comportamento das marcas já antecipa uma coisa: não se trata apenas de revisitar uma história, se trata de ocupar um imaginário.
De se associar a uma ideia de influência que, mesmo transformada, ainda exerce fascínio.
E, principalmente, de responder a uma tensão atual:
entre um presente descentralizado, veloz e caótico
e um passado onde tudo parecia, pelo menos na superfície, mais definido.

Collabs:
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