O seu gosto é realmente seu?
- oquengmcontaa
- 8 de abr.
- 2 min de leitura
Oi, gente linda! 💕
Hoje vamos conversar sobre como nasce o nosso gosto pessoal. Desde quando somos bebês, o que realmente nos influencia a gostar do que gostamos? O que escolhemos permitir que nos molde e o que, sem perceber, já está moldando nossas preferências e nossa lógica de ver o mundo?
Experiências individuais
Desde pequenos, somos atravessados por memórias que carregam afetos. O cheiro da comida da vó, uma música que lembrava alguém querido, ou até a sensação de conforto ao vestir uma roupa específica… tudo isso cria o que os pesquisadores chamam de “afeto aprendido”. Ou seja, gostamos de algo porque associamos àquilo que nos fez sentir bem.
Nossos gostos carregam rastros de memórias afetivas, mesmo que nem sempre tenhamos consciência disso.
Influências coletivas e sociais
Além das memórias individuais, o nosso gosto é profundamente moldado pelo coletivo e, como aponta o estudo da PUC-RS, também pela classe social e pelo capital cultural que cada pessoa possui. Pierre Bourdieu argumenta que o gosto não é apenas uma questão de preferência pessoal, mas um marcador social: o que gostamos comunica quem somos e a que grupo pertencemos.
Por exemplo, certas formas de consumir cultura , um tipo de música, filme ou até restaurante , podem ser mais comuns entre determinadas classes sociais, criando padrões que acabam influenciando o gosto mesmo sem percebermos. Assim, o gosto é, ao mesmo tempo, pessoal e social: nos diferencia e nos conecta.
Nosso gosto nunca é só nosso, ele carrega memórias afetivas, influências coletivas e códigos sociais.
O invisível
E tem mais: muitas vezes, nem percebemos que estamos sendo moldados. Algoritmos, repetições e exposições constantes criam familiaridade, e o cérebro tende a se sentir confortável com o que já conhece. A ciência chama isso de efeito da mera exposição: quanto mais algo nos é apresentado, mais passamos a gostar . Isso se conecta com o que pensadores como Theodor Adorno criticavam como a 'Indústria Cultural': um sistema que nos oferece gostos 'prontos para consumo', nos fazendo acreditar que escolhemos algo que, na verdade, já foi massificado para nós.
Às vezes achamos que escolhemos, mas na verdade fomos escolhidos e, como Bourdieu mostraria, isso também pode estar ligado ao nosso contexto social.
No fim, o nosso gosto é sempre uma mistura: memórias pessoais, influências externas, códigos sociais e aquilo que nos molda sem que a gente perceba. Mas entender essas engrenagens é o primeiro passo para sermos mais donos do nosso próprio repertório. E aí, o que você acha que é realmente seu gosto e o que foi moldado pelo mundo?

Referência usada para esse texto:
HERMIDA, Ricardo. Ensaio sobre o ‘gosto’ em Theodor W. Adorno e Pierre Bourdieu. Ideação, Foz do Iguaçu, n. 30, p. 169-183, jul./dez. 2014. Disponível em: https://www.redalyc.org/pdf/3073/307341015010.pdf. Acesso em: 25 set. 2025.



Total! Texto genial, parabéns!!! 👏👏