Por que a TV ainda dita o que viraliza?
- oquengmcontaa
- 8 de abr.
- 2 min de leitura
Novelas: O Espelho do Brasil
No Brasil, a novela é muito mais do que entretenimento. Ela é um fenômeno social que marca gerações, molda comportamentos e, há décadas, dita o que é tendência. As novelas funcionam como um verdadeiro espelho do brasileiro, refletindo o que ele é, o que sonha em ser e até o que deveria ser.
Desde os anos 70, elas influenciam aspectos tão profundos quanto a escolha de nomes de filhos ou até mesmo o aumento do número de divórcios, segundo estudos do BID. Muito antes da internet, as tramas já pautavam conversas, criavam bordões e vestiam as pessoas com a moda dos personagens. Esse poder de agenda, que transforma ficção em realidade, permanece até hoje.
Do Bordão à Hashtag: A Viralização de Carminha e Nazaré
Se as novelas foram a primeira grande escola da viralização, a era digital as potencializou. Personagens como Carminha e Nazaré, por exemplo, se tornaram ícones atemporais, eternizados em memes, hashtags e GIFs. A televisão não perdeu relevância; ela se adaptou, criando narrativas emocionais prontas para explodirem nas redes sociais.
Esse fenômeno é ainda mais visível em realities como o Big Brother Brasil. O programa transformou a lógica da viralização em um espetáculo em tempo real, com a participação direta da audiência. A TV oferece a matéria-prima e a internet se encarrega de amplificar o eco. É por isso que, mesmo na era dos algoritmos, a TV ainda dita o que viraliza.
De Influencers a Protagonistas: A Nova Lógica do Espelho
A lógica do "espelho" continua forte hoje, mas em novas plataformas e com novos protagonistas. Se antes a televisão nos mostrava quem éramos, agora os influencers digitais cumprem um papel semelhante. Eles criam micronarrativas interativas, atuando como espelhos aspiracionais e normativos.
Enquanto a TV constrói narrativas coletivas, os influencers criam versões individuais e mais acessíveis de comportamento e estilo de vida. Eles também moldam a cultura e ditam tendências. No fundo, a dinâmica é a mesma: oferecer signos, aspirações e valores que geram identificação e desejo no público.
A Semiótica da TV
Esse fenômeno pode ser explicado pelo conceito de semiose social. Cada novela, reality show ou post de influencer não é um produto isolado, mas um signo em circulação, que ganha novos significados na medida em que é interpretado e compartilhado pela sociedade.
Um bordão de novela, por exemplo, deixa de ser apenas uma fala do roteiro e se transforma em meme. O look de um participante de reality sai da tela e vira referência de consumo. A televisão se mantém central por fornecer os signos mais potentes e impactantes para serem reinventados e compartilhados nas redes. Ela é a grande fábrica de narrativas que dão sentido à nossa vida cultural, online e offline.
Mas, e ai, você curte esse universo multicanal?

Referências:
Artigo: Telenovela como recurso comunicativo Revista Matrizes, USP
Livro: Hamburger, Esther. O Brasil antenado: a sociedade da novela. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.
Livro: Jenkins, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2009.
Página institucional: Telenovela: uma história bem brasileira – Agência Nacional / Projeto Que República é Essa?



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